Cirurgia plástica: ‘É impossível mudar o rosto como se muda numa foto’

Alerta de Alberto Rocha Pereira, cirurgião do Hospital da Luz, em debate promovido pela maior associação mundial da especialidade.

As redes sociais e os influencers são quem define hoje os critérios da beleza, colocando a cirurgia plástica e reconstrutiva perante novos e complexos desafios. Foi por isso este o tema escolhido para o mais recente debate promovido pela Fundação AO na AO TV, que teve como convidados Alberto Rocha Pereira, especialista em cirurgia plástica reconstrutiva e estética e diretor dos serviços de Cirurgia Plástica do Hospital da Luz Lisboa e do Hospital da Luz Torres de Lisboa, e outros dois cirurgiões, Amir Elbarbary (Universidade do Cairo) e Ana Catalina Tobón (Bogotá).

Os três especialistas, representantes de três continentes diferentes, concordaram que se verifica uma tendência para a “globalização dos standards de beleza” e descreveram como são muito diferentes atualmente as consultas e as questões colocadas pelos doentes, muito influenciadas pelas figuras nacionais e estrangeiras que dominam as redes sociais. Onde é que o cirurgião tem, então, de colocar as suas ‘linhas vermelhas’?

Durante o debate, Alberto Rocha Pereira explicou:

  • “Nas consultas, muitas pessoas interpelam-nos sempre com fotografias, quando nós, médicos, aprendemos e estamos treinados para começar a consulta com uma queixa em concreto de algo que não está bem ou incomoda os pacientes. Hoje em dia, as pessoas chegam com uma foto de como gostariam de ser, mas não referem nenhuma queixa, ou seja, não têm nenhuma característica específica que queiram tentar mudar através de cirurgia ou de um tratamento, pedem apenas para ficarem parecidas com a imagem que têm na foto. Esta não é decididamente a melhor maneira de começar a consulta”.
  • “Em cirurgia estética, não há indicação clínica para mudar nada no rosto da pessoa. Ela é completamente saudável, mas manifesta a vontade de aperfeiçoar ou modificar determinada característica específica de que não gosta. Este deverá ser o ponto de partida para perceber se somos capazes tecnicamente de realizar essa modificação.”
  • “No computador é sempre fácil, em cirurgia não. É praticamente impossível reproduzir cirurgicamente no rosto humano o mesmo que se faz numa fotografia com um programa de computador. Mesmo recorrendo aos mais recentes avanços tecnológicos que permitem virtualmente prever o impacto da movimentação de um osso ou a resposta dos tecidos moles”. A forma como a pele e os tecidos moles se adaptam a determinado procedimento é muito variável de pessoa para pessoa e muito difícil de prever;
  • “Quando vejo que as expetativas não são realistas, explico de imediato isso mesmo ao doente. Em cirurgia estética – e o mesmo vale para a cirurgia noutras áreas – há duas pessoas que devem estar de pleno acordo sobre o tratamento a seguir: o doente e o cirurgião.
  • “Sempre que tenho um doente a tentar pressionar para algo que eu sinto que não será uma boa opção para ele, ou quando verifico que não serei capaz de realizar cirurgicamente as suas expectativas, é aí que eu paro. E, claro, sugiro que deve pedir opinião a outro especialista.”
  • “Receio que estejamos a caminhar em direção a uma espécie de globalização dos standards de beleza. As pessoas tentarão cada vez mais ficar parecidas com os seus ídolos, copiando ideais de beleza cada vez mais partilhados por maior número de pessoas, em diferentes pontos do globo, mesmo que desadaptados ou desproporcionados. E vai ser cada vez mais difícil suster essa tendência, pois haverá sempre cirurgiões disponíveis e cada vez mais fáceis de alcançar também em diferentes países”.

Alberto Rocha Pereira concluiu lembrando que um cirurgião deve procurar sempre descobrir qual é o verdadeiro motivo pelo qual a pessoa está a tentar mudar o seu rosto: “É possível que seja algo do foro psicológico ou emocional – e isso, claro, não se resolverá com uma cirurgia.”

O debate pode ser lido e visto aqui.

Dr Alberto Rocha Pereira
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